Eu não sabia se deveria postar isso aqui ou não. Pensei que talvez fosse pessoal demais. Mas daí percebi que tudo aqui é pessoal, se não fosse, eu não teria um blog, eu teria um site de notícias, afinal, tem coisa mais impessoal que notícias, especialmente aquelas da seção policial? Bom, então decidi postar.
Não tenho o costume de visitar tumblr alheios, mas hoje o fiz para poder dar like numa foto, o que não vem ao caso. O que vocês precisam saber é que eu visitei um tumblr de uma pessoa que eu não conhecia. Odeio quando tumblrs tem reprodutor de música automático, esse tinha um. De repente começou a tocar uma música e eu fiquei procurando de onde estava vindo o som, como sempre acontece. E, com a introdução da música que começou a tocar naquele momento, veio à minha mente um turbilhão de memórias. A música? Californication, Red Hot Chilli Peppers. Estou até ouvindo essa música nesse momento, mas isso também não vem ao caso.
Fazia muito tempo que eu não ouvia essa música. Bom, é aqui que surgem as memórias.
Não sei se vocês fazem isso, mas divido momentos da minha vida me orientando pela série da escola que eu estava cursando. Por exemplo, você já deve ter me ouvido falar “ah, eu fiz isso na 7ª série” ou “acho que foi na 8ª série que eu conheci tal pessoa”. Essas memórias começam na 4ª série. Eu acabara de mudar de escola e por incrível que pareça, me adaptei bem às pessoas e a sala era unida (a única vez em que eu estive numa sala de aula unida, só pra constar).
Havia um garoto (por que sempre tem que ter um garoto envolvido em tudo né?) e ele não era o meu melhor amigo, mas a gente se falava às vezes. Como já disse, a sala era unida, todo mundo conversava com tudo mundo e tínhamos um nível bom de intimidade. Ele ia pra escola e voltava na mesma van que eu. Ele era o popular da sala (pra não dizer da escola) e isso fazia dele um belo idiota quando o assunto era meninas. Você deve estar se perguntando: mas na 4ª série? Sim, na quarta série.
Eu, a idiota que sempre se apaixona por gente errada, começei a gostar dele. Aquela paixão bobinha de pré-adolescente. Não se assustem com o meu nível de maluquice, mas eu sabia qual era a música favorita dele e a decorei inteira. Se você tiver prestando atenção, você já deve saber qual música é. Um dia, enquanto estávamos na van, a música tocou no rádio e eu, como quem não quer nada, começei a cantar baixinho. Eu lembro que ele estava na minha frente e ficou maravilhado com o fato deu saber. Mas só. Eu não passava de uma garota quieta e estranha que sabia a música favorita dele.
Depois meu nível stalker cresceu. Eu pedia pra motorista da van me levar por último pra casa, porque assim eu passaria mais tempo com ele na van, e como ele era o último a ser levado normalmente, eu teria um tempo sozinha com ele na van e saberia aonde ele morava (não que eu fosse maluca ao ponto de ir na casa dele, essas coisas, eu era maluca mas nem tanto, era só uma maluquice causada por uma paixão). Lembro que até um dia desses que eu pedi pra ser a última a ser deixada em casa, meus pais ficaram bravos comigo porque era um dia que eu não podia atrasar.
Bom, o tempo passou, passou, passou. E eu me acostumei com essa paixão. Ele era meio meu amigo, mas ainda era um idiota que tinha caso com quase todas as garotas da escola. Garotas mais velhas, bonitas. Eu fui perdendo a esperança.
A 5ª série veio e eu mudei de escola novamente. Ainda mantive contato com amigos de lá e acabei falando que gostava dele pra umas amigas. Foi aí que um belo dia me falaram que a escola toda sabia que eu gostava dele. E na 5ª série, isso é motivo de pânico. O bom era que eu não estudava mais lá.
2 de Outubro de 2002. Aniversário de uma das minhas melhores amigas da época de 4ª série, e, mesmo eu estando em outra escola, ela me convidou e eu fui. É meio óbvio dizer que ele estava lá? É meio óbvio dizer que eu sabia que ele ia estar então eu tentei agir normalmente?
No meio da festa, um amigo dele vem falar comigo e acho que nessa parte vocês não precisam de detalhes. Eu era ingênua, ele pediu pra que eu descesse pra garagem, eu fui. No próximo momento eu lembro de estar encostada na parede e ele na minha frente. Foi aí que eu acordei pra vida e percebi o que era aquilo. “Mas eu nunca fiz isso”. Eu falei. Até hoje eu rio dessa minha frase.
Não sei quanto tempo durou. Não sei mesmo. Pra mim durou uma eternidade. Meu mundo parou, girou, virou de ponta cabeça, eu não sentia mais o peso do meu corpo. Só voltei à Terra, quando alguns meninos, que perceberam o que estava acontecendo, desceram até a garagem e esperaram o momento certo pra começarem a apontar e rir da minha cara. Eu subi as escadas chorando e me tranquei no banheiro.
Tá, você deve estar pensando: tadinha, no primeiro beijo, que trauma! A parte das risadas não foi muito agradável, mas eu tenho que confessar que nunca mais tive um beijo como aquele. O sentimento não foi recíproco, afinal, logo depois ele ficou com mais 3 meninas, mas o meu sentimento foi real e eu posso falar sem sombra de dúvidas: foi o melhor beijo. Talvez porque ele foi o único pelo qual eu sentia realmente algo.
Ano passado eu o encontrei. Por ironia, ele agora namora uma menina que faz cursinho na mesma escola que eu fiz colegial. Não tenho raiva dele, nem por um segundo. Ele vai sempre ser especial pra mim e eu fico feliz por ele ter encontrado alguém que o ame e que tenha endireitado o caminho dele.
Sei que ele nunca vai ler isso, sei que muita gente não vai ler por ser muito pessoal ou muito longo, mas são coisas inevitáveis de se falar. Vejo tanta gente por aí querendo “perder o bv” só por perder, pra não ser mais zuado, eu sei lá. Sinceramente, eu podia ser nova demais, mas foi uma lição pra mim: que tudo tem que ser feito com sentimento. Porque, se não, vira algo vazio, sem sentido, nojento.
E todas essas lembranças cabem dentro de uma introdução de 20 segundos.