Um tempo atrás.

É engraçado como há um mês eu disse com firmeza para mim mesma: “eu nunca fui tão feliz”. É engraçado como as coisas mudam, como meu humor e todo meu pensamento oscila. Eu já estou cansada da comparação com a montanha russa, mas, por mais cliché que seja, a vida realmente é uma montanha russa. Tem altos, baixos, partes de espera, de apreensão, de adrenalina, gritos, alívio, tontura, felicidade. E eu acho que o carrinho da minha vida acaba de atingir um de seus baixos, e, para chegar na parte baixa, é necessário uma parte alta.

Arte nunca vem de felicidade. Acho que essa é uma das minhas frases favoritas pois não poderia ser mais verdadeira. Durante meus momentos felizes, eu nem pensava em produzir nada. Agora eu simplesmente senti necessidade de escrever. Uma necessidade que surge do nada, mas permanece até eu obedecê-la. Estou até considerando mudar de profissão, porque, se para toda vez que eu precisar ser criativa eu precisar estar triste, eu nunca vou ser feliz.

Eu sei exatamente o motivo da minha tristeza. Mas isso não cabe dizer aqui. É ruim saber que você quer algo que você não pode ter. Na verdade, acho que é uma das piores coisas do mundo: querer e não poder ter. E no meu caso, o que eu quero nem todo o dinheiro desse mundo compra. Fico aqui esperando, já que não adianta nada pedir pelo o que eu quero. Fico esperando a vida me presentear, quem sabe, um desses dias, eu finalmente encontro o que tanto quero.


Q
Sarah, qual o nome desse livro aqui que você estava lendo? Por favor!! > h*ttp*://*instagr.*am/p/J0dpXBH5L5/
A

Um Dia :D


Conclusões inesperadas.
Andando. Numa mão o guarda chuva, na outra os bolsos. O capuz quase cobrindo meus olhos. O fone no meu ouvido, o fio dele se movendo junto comigo. O vento balançando os fios do meu cabelo. Os carros passam por mim sem eu perceber. De repente, eu olho para baixo e fico corada. Sorrio. E naquele momento eu percebo que, se o meu coração parasse de bater bem naquele segundo, eu morreria plenamente feliz.

Conclusões inesperadas.

Andando. Numa mão o guarda chuva, na outra os bolsos. O capuz quase cobrindo meus olhos. O fone no meu ouvido, o fio dele se movendo junto comigo. O vento balançando os fios do meu cabelo. Os carros passam por mim sem eu perceber. De repente, eu olho para baixo e fico corada. Sorrio. E naquele momento eu percebo que, se o meu coração parasse de bater bem naquele segundo, eu morreria plenamente feliz.


“Se for amor o que eu estou sentindo agora, ele é melhor do que eu esperava. Se não for, que se dane o amor, eu prefiro esse sentimento que está inundando meu coração nesse momento. O sentimento que faz meu coração bater acelerado toda vez que seus olhos se encontram com os meus, que me faz perder o ritmo de respiração toda vez que sua mão toca a minha, que faz com que minha mente flutue toda vez que ele me beija. Esse sentimento de que o mundo pode acabar que eu não vou dar a mínima, quando tudo o que importa é outra pessoa. Quando tudo o que importa é vê-la sorrindo, feliz e sentindo o mesmo que você.”


Momentos.

Momentos de risada. Momentos de lágrimas. Momentos de gritos. Momentos de suspiros. Momentos de silêncio. Momentos de ansiedade. Momentos de dor.

Somos todos um álbum vivo de momentos. Colecionamos todos, por mais que alguns tentamos ao máximo apagar. Esses momentos, esses pequenos detalhes, toda essa minusciosa coleção. É disso que somos feitos. Isso define quem fomos, somos e seremos.

Talvez você pense bastante antes de colecionar um deles em seu álbum. Como aquelas pessoas que planejam cada detalhe antes, cada espaço, cada posição do momento no álbum. Talvez eu seja assim. Só que, esses dias, percebi que se eu ficar planejando muito, um dia o álbum vai acabar vazio, incompleto. Cole uma em cima da outra, de lado, ao contrário. Colecione esses momentos sem medo. Não espere a vida passar para perceber que ficou mais tempo pensando nos momentos passados ou futuros do que realmente vivendo-os.


Ah, o oitavo andar.

E, hoje à tarde, quando eu andava sem pensar

Esperando uma tempestade ou um raio solar

Olhei para cima e comecei a pensar

Eu queria morar no oitavo andar

O elevador pode demorar, a altura pode arrepiar

O vento pode bater e chão com ele tremer

Os vizinhos podem até quererem se suicidar

Mas o oitavo andar me faz o querer

Queria me debruçar da janela e lá ficar

Talvez até ajudaria meu ego

Até minha auto estima poderia aumentar

Ao ver as pessoas lá de cima, feito lego

Só que quando o elevador para para eu me retirar

E eu percebo que o céu não posso ver

Eu sei que tenho que me contentar com o segundo andar

Enquanto queria tanto o oitavo ter


Ósculo

Ele está cada vez mais perto. Eu já posso sentir meu coração batendo rápido e sem compasso, às vezes pulsando, às vezes parado. Não consigo prestar atenção em nenhum som ao meu redor, é como se eu tivera me tornado surda de repente. Ele está cada vez mais perto. Minha mão começou a tremer, fechei-a em um punho, mas nada adiantou. Ainda posso sentir toda a tremedeira. Meu coração não sabe se pára ou sai pela gargante em correria, ele já não se aguenta em meu peito, está cada vez maior e cada vez mais incomodado em seu espaço. Mordo os lábios em sinal de nervosismo. De repente, volto a ouvir, mas tudo o que chega aos meus ouvidos é a respiração ofegante que sai de meu nariz. Ou seria seu nariz? Ele está tão perto que não consigo mais diferenciar. Sinto meus joelhos falharem, não sabem se me sustentam ou se desmoronam de vez. Meu cérebro está anestesiado, tentando pensar em tudo, mas não conseguindo. Agora posso sentir sua respiração em meu rosto, uma respiração pesada, como se estivesse acabado de sair de uma maratona. Meus olhos, automaticamente, se escondem atrás de minhas pálpebras, com apreensão. Meu rosto começa a queimar, minha garganta está seca e ardente. 

Sinto dois toques. O primeiro é de seu polegar, apoiado não muito longe de minha boca. O outro é seu indicador, apoiando o resto da mão em meu maxilar. Um calafrio invade meu corpo assim que percebo o terceiro toque, agora em minha cintura. O ar passa com dificuldade pelos meus pulmões, como se eu houvesse desaprendido a respirar. Posso sentir seu polegar se mover de um lado a outro em meu rosto, delicadamente, sem pressionar minha pele, apenas o suficiente para que eu o sinta. Sua respiração quente e rápida agora pode ser sentida em meus lábios. Uma distância milimétrica nos separa. Ele dá um pequeno passo para frente, fazendo assim com que seus lábios encontrem os meus pouco a pouco. Primeiro seu lábio superior encontra a linha que divide os meus. Depois seu lábio inferior toca o fim da minha boca. Sinto seus dedos apertando minha cintura. Seus lábios, todavia, ainda não estão pressionados contra os meus. Minhas mãos desfazem o punho cerrado e encontram seu pescoço, o trazendo para mais perto, fazendo assim com que sua boca afunde na minha. Ele se concentra em meu lábio inferior, puxando-o como se fosse uma pinça, mas o soltando logo em seguida. Num curto intervalo de tempo, seus lábios soltam os meus, porém, automaticamente, voltam ao lugar anterior.

Eu posso sentir cada marca em seus lábios e, de alguma forma, estas completam as minhas. Seu polegar param de dançar em minhas bochechas, agora as aperta. Meus olhos se contraem. Ele volta a puxar minha boca, mas agora o lábio superior. Eu não conseguia mais ouvir minha respiração, sua respiração, nosso fôlego, o som estalado de nossas bocas era tudo o que meu ouvido captava. Respirei forte. Sua boca agora tocava meus lábios de forma diferente, pois os seus próprios lábios já não estavam mais colados um ao outro. Minha boca o imitou e a linha no meio dela agora era um vão. Respirei de novo, pela última vez antes de segurar meu fôlego.

Sua boca invadiu a minha em um movimento brusco, contrastando-se com a delicadeza anterior. Meus dedos se afundaram em seu rosto e eu podia sentir sua mão pressionando meu maxilar. A mão que outrora estava em minha cintura agora se encontrava no meio de minhas costas, e assim seu braço envolveu uma lado do meu corpo, fazendo com que meu quadril se unisse ao dele. Meus pés se sustentaram agora pelas pontas dos dedos, meu calcanhar não alcançava mais o chão. Minha outra mão se apoiou sem seu ombro, e a que se encontrava em seu rosto agora passeava pelo seu cabelo, com os dedos abertos, deixando os fios passarem pelos vãos. Meu cérebro estava recebendo tantos estímulos que não conseguia mais funcionar, saber o que fazer primeiro. Pequenas faíscas estouravam em meu sistema nervoso, como se eu tivesse me levantado rápido de mais. Meus joelhos continuavam bambos e minha única sustentação era sua mão em minhas costas. 

Senti nossas bocas se fecharem uma na outra, entrelaçadas. Meu calcanhar alcançou o chão novamente e meus joelhos se firmaram. Seus lábios puxaram os meus uma, duas, três vezes até se afastarem por completo. A mão nas minhas costas agora imitava a outra: estava presa em meu rosto. Decidi abrir os olhos quando senti sua testa colar na minha. Logo quando minha pálpebra se abriu, pude ver seus olhos olhando fixos nos meus. Pude ver cada traço de sua íris, cada ponto de luz refletido em sua superfície. Seus lábios se arquearam junto com os meus e mostraram um pouco os dentes, num sorriso. Olhei para sua boca, rindo sem fazer som. Mordi meu lábio inferior, desejando-a. Pude ver seu sorriso ficar maior e se transformar numa risada tímida. Meu coração bateu forte e parou antes que começasse tudo outra vez.


E quanto mais a gente tenta não decepcionar os outros, mais a gente se decepciona consigo mesmo.


Sonhos.

“Você cria uma ideia na cabeça e, quando percebe que não é aquilo que você imaginou, você se frustra e sofre”. Hoje não foi a primeira vez que minha mãe me disse isso. E, sinceramente, me deixa triste.

Eu não sei ser realista. Simplesmente não sei. Talvez porque a realidade sempre esteja aquém daquilo que eu quero, então eu invento mil e uma coisas pra fugir dela. Não é porque eu goste de me frustrar ou porque eu não sei qual é a realidade. Eu sei qual é a realidade, eu sei diferenciar realidade de fantasia. Mas eu acabo escolhendo, talvez sem perceber, uma idealização na minha mente. E quando aquilo não acontece, eu sofro.

E não, isso ainda não me faz gostar da realidade. Eu pergunto se minha mãe nunca teve sonhos ou se ela sempre foi feliz com a sua realidade. Porque, eu sem sonhos não sou ninguém. Eu sem meus sonhos sou apenas uma garota comum vivendo uma vida medíocre. Eu sem meus sonhos não sou eu.

Eu só queria, uma única vez, que meus maiores sonhos virassem realidade. Tá, e quem não quer? Qual o problema de sonhar e quebrar a cara, se quebrar a cara não me impede de sonhar de novo?


Talvez seja eu…

Quem nunca sentiu falta de ter alguém pra conversar? Alguém que saiba quem você é por completo, alguém que saiba o que você está pensando antes mesmo de você falar? Eu sinto.

Não sei se o problema está em mim, mas eu não tenho muitos amigos. Por muito tempo eu tive “melhores amigas”. Sempre achei esse termo meio ruim, ainda mais quando era “melhores amigas para sempre”, porque eu sabia que isso nunca dura para sempre, ainda mais comigo. Talvez seja meu defeito, eu não tenho facilidade em manter amizade quando não há mais contato, não tneho facilidade para fazer amigos e nem mesmo confiança para me abrir por completo para alguém.

Mas são nesses momentos nos quais a gente só quer um ombro pra chorar, são nesses momentos que realmente um amigo assim faz falta. Porque, tudo o que eu tenho nesses momentos são o chuveiro e o travesseiro e nada mais.


2012 aqui e lá.

Apesar do título, não venho aqui falar de ano novo, fim do mundo, novos planos, realizações, desejos ou seja lá o quê que todo mundo ama falar no começo de Janeiro. Vim falar das diferenças (e olha quantas diferenças ein) entre lá e aqui.  Toda vez que eu me referir a “lá” estou falando dos Estados Unidos. Toda vez que eu me referia a “aqui” estou falando do Brasil.

A partir de agora esqueça todo o seu preconceito pelos americanos, esqueça até que eles não são americanos e sim estado unidenses, porque eu aposto que você me corrigiu em pensamento.

Todo mundo sempre me disse que eu sou muito “americanizada”, que eu “vivo uma ilusão”, que eu quero o “sonho americano”. Não vou dizer que é mentira. Sempre amei aquele país e entendo a razão pela qual muita gente odeia. Não sou aquelas malucas que não reconhecem o imperialismo e todas as cagadas que eles fizeram e fazem. Mas vim aqui tentando ser o mais parcial possível.

Só saindo do Brasil você percebe que lixo é o nosso país. Tô me perguntando agora quantas pessoas ficaram escandalizadas e deixaram de ler esse post e deram unfollow no blog nesse momento, mas tudo bem. Primeiro mundo é completamente diferente. A estrutura, a segurança, a educação das pessoas, o preço das coisas, a facilidade, a tecnologia, a clareza de informações. Tudo parece melhor (e de fato é).

Nunca que alguém, em um aeroporto lotado, deixaria seu macbook air no acento e saíria por 30 segundos pra jogar o lixo fora. Nunca alguém no Brasil iria deixa o casaco de couro sozinho na pia de um banheiro público enquanto o usa. E daí você deve estar pensando “que povo relaxado, muito burro”. Quando eles voltam, o pertence continua no mesmo lugar, sem ser tocado. E isso em cidade grande.

Alguém topou com você sem querer? Essa pessoa pede licença, sem ao menos ter te encostado. A educação é outro ponto forte, acho que nunca falei tanto “obrigada”, “por favor”, “com licença”, “prazem em conhecê-lo” e “não há de quê” na minha vida. Todo mundo joga lixo no lixo. Todo mundo respeita as leis de trânsito. Todo mundo para o carro quando alguém quer atravessar.

E também tem o preço das coisas, que você compra e o imposto é adicionado no caixa, ou sabe, você extamente qual a porcentagem do que você tá pagando que vai pro governo. 

Tirando o refrigerante de cereja, o refil grátis e as coisas baratas, acho que o que eu vou mais sentir saudade de lá é a educação do povo e toda essa clareza. Porque, logo que cheguei ao aeroporto de Guarulhos, eu já senti toda a diferença. 

Ou seja, você pode falar o que for dos EUA, assim como você pode falar o que for do Brasil, mas a gente tem que reconhecer que, em termos de estrutura e educação, eles dão de mil na gente. E olha que não é porque eles são ricos e blá blá blá, Brasil tem toda a possibilidade de ter a mesma estrutura, mas parece que nem o povo nem o governo daqui está tão interessado assim com o progresso do país…


Se apaixonar por lugares aos quais você nunca esteve. Se apaixonar por sensações das quais você nunca provou. Se apaixonar por pessoas as quais você nunca conheceu. Se apaixonar sem saber o que é realmente o amor.


Pessoal demais?

Eu não sabia se deveria postar isso aqui ou não. Pensei que talvez fosse pessoal demais. Mas daí percebi que tudo aqui é pessoal, se não fosse, eu não teria um blog, eu teria um site de notícias, afinal, tem coisa mais impessoal que notícias, especialmente aquelas da seção policial? Bom, então decidi postar.

Não tenho o costume de visitar tumblr alheios, mas hoje o fiz para poder dar like numa foto, o que não vem ao caso. O que vocês precisam saber é que eu visitei um tumblr de uma pessoa que eu não conhecia. Odeio quando tumblrs tem reprodutor de música automático, esse tinha um. De repente começou a tocar uma música e eu fiquei procurando de onde estava vindo o som, como sempre acontece. E, com a introdução da música que começou a tocar naquele momento, veio à minha mente um turbilhão de memórias. A música? Californication, Red Hot Chilli Peppers. Estou até ouvindo essa música nesse momento, mas isso também não vem ao caso.

Fazia muito tempo que eu não ouvia essa música. Bom, é aqui que surgem as memórias.

Não sei se vocês fazem isso, mas divido momentos da minha vida me orientando pela série da escola que eu estava cursando. Por exemplo, você já deve ter me ouvido falar “ah, eu fiz isso na 7ª série” ou “acho que foi na 8ª série que eu conheci tal pessoa”. Essas memórias começam na 4ª série. Eu acabara de mudar de escola e por incrível que pareça, me adaptei bem às pessoas e a sala era unida (a única vez em que eu estive numa sala de aula unida, só pra constar).

Havia um garoto (por que sempre tem que ter um garoto envolvido em tudo né?) e ele não era o meu melhor amigo, mas a gente se falava às vezes. Como já disse, a sala era unida, todo mundo conversava com tudo mundo e tínhamos um nível bom de intimidade. Ele ia pra escola e voltava na mesma van que eu. Ele era o popular da sala (pra não dizer da escola) e isso fazia dele um belo idiota quando o assunto era meninas. Você deve estar se perguntando: mas na 4ª série? Sim, na quarta série.

Eu, a idiota que sempre se apaixona por gente errada, começei a gostar dele. Aquela paixão bobinha de pré-adolescente. Não se assustem com o meu nível de maluquice, mas eu sabia qual era a música favorita dele e a decorei inteira. Se você tiver prestando atenção, você já deve saber qual música é. Um dia, enquanto estávamos na van, a música tocou no rádio e eu, como quem não quer nada, começei a cantar baixinho. Eu lembro que ele estava na minha frente e ficou maravilhado com o fato deu saber. Mas só. Eu não passava de uma garota quieta e estranha que sabia a música favorita dele.

Depois meu nível stalker cresceu. Eu pedia pra motorista da van me levar por último pra casa, porque assim eu passaria mais tempo com ele na van, e como ele era o último a ser levado normalmente, eu teria um tempo sozinha com ele na van e saberia aonde ele morava (não que eu fosse maluca ao ponto de ir na casa dele, essas coisas, eu era maluca mas nem tanto, era só uma maluquice causada por uma paixão). Lembro que até um dia desses que eu pedi pra ser a última a ser deixada em casa, meus pais ficaram bravos comigo porque era um dia que eu não podia atrasar.

Bom, o tempo passou, passou, passou. E eu me acostumei com essa paixão. Ele era meio meu amigo, mas ainda era um idiota que tinha caso com quase todas as garotas da escola. Garotas mais velhas, bonitas. Eu fui perdendo a esperança.

A 5ª série veio e eu mudei de escola novamente. Ainda mantive contato com amigos de lá e acabei falando que gostava dele pra umas amigas. Foi aí que um belo dia me falaram que a escola toda sabia que eu gostava dele. E na 5ª série, isso é motivo de pânico. O bom era que eu não estudava mais lá.

2 de Outubro de 2002. Aniversário de uma das minhas melhores amigas da época de 4ª série, e, mesmo eu estando em outra escola, ela me convidou e eu fui. É meio óbvio dizer que ele estava lá? É meio óbvio dizer que eu sabia que ele ia estar então eu tentei agir normalmente?

No meio da festa, um amigo dele vem falar comigo e acho que nessa parte vocês não precisam de detalhes. Eu era ingênua, ele pediu pra que eu descesse pra garagem, eu fui. No próximo momento eu lembro de estar encostada na parede e ele na minha frente. Foi aí que eu acordei pra vida e percebi o que era aquilo. “Mas eu nunca fiz isso”. Eu falei. Até hoje eu rio dessa minha frase.

Não sei quanto tempo durou. Não sei mesmo. Pra mim durou uma eternidade. Meu mundo parou, girou, virou de ponta cabeça, eu não sentia mais o peso do meu corpo. Só voltei à Terra, quando alguns meninos, que perceberam o que estava acontecendo, desceram até a garagem e esperaram o momento certo pra começarem a apontar e rir da minha cara. Eu subi as escadas chorando e me tranquei no banheiro. 

Tá, você deve estar pensando: tadinha, no primeiro beijo, que trauma! A parte das risadas não foi muito agradável, mas eu tenho que confessar que nunca mais tive um beijo como aquele. O sentimento não foi recíproco, afinal, logo depois ele ficou com mais 3 meninas, mas o meu sentimento foi real e eu posso falar sem sombra de dúvidas: foi o melhor beijo. Talvez porque ele foi o único pelo qual eu sentia realmente algo.

Ano passado eu o encontrei. Por ironia, ele agora namora uma menina que faz cursinho na mesma escola que eu fiz colegial. Não tenho raiva dele, nem por um segundo. Ele vai sempre ser especial pra mim e eu fico feliz por ele ter encontrado alguém que o ame e que tenha endireitado o caminho dele. 

Sei que ele nunca vai ler isso, sei que muita gente não vai ler por ser muito pessoal ou muito longo, mas são coisas inevitáveis de se falar. Vejo tanta gente por aí querendo “perder o bv” só por perder, pra não ser mais zuado, eu sei lá. Sinceramente, eu podia ser nova demais, mas foi uma lição pra mim: que tudo tem que ser feito com sentimento. Porque, se não, vira algo vazio, sem sentido, nojento.

E todas essas lembranças cabem dentro de uma introdução de 20 segundos.


Quem é você?

Não sei se isso é vergonhoso ou não de se dizer, mas certas coisas às vezes precisam ser ditas para que tenham valor. 

Ontem à noite, eram 2 horas da manhã. Eu não conseguia dormir. De novo. Ao invés de ficar rolando de um lado para o outro na cama, eu simplesmente peguei o iPod e coloquei na playlist mais dançante possível. E aqui, nesse quarto onde eu estou agora, eu dancei no escuro. Dancei como nunca ninguém me viu dançar e talvez nunca verá. Dancei no escuro, de pijama, no meio da madrugada e aquilo me fez feliz.

As pessoas nos assustam. Queremos ser aceitos por elas, queremos que outras pessoas gostem da gente. Só que esse mundo é cruel e fez suas próprias regras de como uma pessoa deve ser, e, se você não segui-las, você não é aceito. Por isso muitos escondem quem realmente são.

Sabe quem você realmente é? Você é aquela pessoa quando ninguém mais te olha. Você é aquela pessoa que dança no escuro às 2 da madrugada. Você é aquela pessoa que faz seu próprio show cantando no chuveiro. Você é aquela pessoa que escreve coisas que ninguém vai ler. 

Então, por que tanto medo de ser quem você é? Porque tanto medo do que as pessoas vão ou não pensar de você? Aposto que elas também são originais, felizes e confiantes quando fazem algo que amam, só que também não deixam ninguém ver.

Sim, é difícil. Então continue dançando no escuro, continue cantando no banho, continue sendo você quando ninguém vê até você ter coragem de fazer o que ama na frente do mundo todo.


Meu domínio?

Sempre disse que não fui boa com palavras faladas, mas, agora, as palavras escritas também me traíram. Me deixaram sozinha, num vazio sem voz, sem leitura, somente sons e gestos.

Nunca pensei que um dia ia perder esse domínio. Mas as palavras escritas de repente se soltaram de minhas rédeas e fugiram para longe, me deixando sem proteção, sem companhia, sem jeito. 

Pode parecer irônico eu estar escrevendo sobre palavras escritas me traírem. Talvez, assim, elas voltem para o meu domínio. Como alguém que assobia e grita o nome de seu cachorro fugitivo. Como alguém que distribui panfletos com o rosto da pessoa desaparecida para assim poder encontrá-la de novo. Faço isso para que elas voltem ao meu domínio, ou melhor, ao meu lado. Porque ontem descobri que não sou donas delas, mas sim elas conseguem me dominar. São criaturas livres, com vontade própria e eu sou escrava delas.

Sendo assim, escrevo não pros outros lerem, apreciarem, elogiarem, desprezarem ou criticarem, escrevo pela simples necessidade de escrever.